Anti-fábula




Seus corpos eram pequenos demais para caber nas glórias que queriam para si

Inflados de um futuro deslumbrante dirigível colossal sobre as suas cabeças 

Que os levaria de carona para além daquela vila, para além das ameaçadoras montanhas que os enclausurava naquela vida pacata

Enquanto conversavam, tarde da noite, na praça mal iluminada,

Hoje sabe que não havia algema

Hoje pode pagar a passagem mais cara

Passar a noite na cidade mais distante da Turquia ou Itália

Por que não vai? às vezes se pergunta

De vez em quando a resposta bate, como o vento na janela

Do mesmo quarto, da mesma casa

E nas outras vezes só há silêncio

Porque ele dorme

Amanhã é segunda-feira, tudo escorre.















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