para que mundo olhar na profusão das coisas?
noticiários
bombardeios cinema reacionários
o virtual irradia luz própria, e se desmancha
ao toque
O real já não satisfaz
os pequenos famintos que vêem as suculentas casas de doces no Instagram
e já não suportariam viver nessa pobreza de alvenaria
preferindo antes se embrenhar na mata à procura de alguma bruxa que os prometa
que terão tudo porque eles merecem
as vidas coloridas, milhões de curtidas,
e eles reluzes de expectativa
enquanto ela os cozinha
E tudo gira, rodopia
Eclesiastes já passou
E amanhã é um mistério.

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