Poética glicêmica
nunca serviu
ao cinto graúdo de couro gasto do pai virar poesia
ao contrário
das pétalas macias de gerânios – ouça só o som agridoce
dos
gerânios
certas coisas
se querem cegas e mudas na mineralidade do mundo
o soco sujo,
a roupa em trapo, a ofensa que escapa de todo senso
e se prende
como as fissuras na parede da casa
que justiça há
em eternizar a sonoridade ululante do amor eterno enquanto mil rasgos se
perpetram como um Ônix 1.0 a frear em asfalto velho
muito mais
eterno que o som das ondas do mar
do adjetivo
dourado ou do elétrico olhar dos amantes
foi a cor do
pano como se desfazendo da perna do tio
que se
recusava a comer direito
e não rimava
nada com diabetes.
***
com amor e medo,
Jedielson Sant'Ana

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