MONÓLOGO
Lá fora do manto azul claro do céu
pouca coisa se distingue no espaço
muito, um planeta ou outro, uma pedra solta
que coruja nenhuma enxerga nem onça
na mata percebe
só nós, ante ao vazio maior do
universo, sabemos das distâncias abissais
mais: o silêncio das estrelas.
O que nos eleva ao conhecimento de
deuses
no alto de Olimpos rodeados por
serafins-satélites,
e ao mesmo tempo nos diminui a menos
que uma rocha em Plutão, inerte.
Nós, depois de tanto sobressalto,
nos deparamos com a dureza sideral
e bravamente a ressignificamos.
Estrelas explodem a cada instante,
como gotas que caem no verão,
como rosas e rosas e rosas
e tudo seria em vão, não fosse o
olho humano, que diz que a estrela é grande,
a chuva não.
Até que se prove que o universo tem
mais vida, como nessas ficções
(Que eu não duvido)
a realidade é que tudo que existe,
em larga escala é invenção,
do homem, que (apesar de
contestável) pensa –
ante ao cenário do universo –
na sua própria atuação,
conjuga um verbo,
dá
um nome
ao que é escuro
ao que é chão
e com a palavra
faz seu drama:
a Criação.
***
Com amor e medo,
Jedielson Sant'Ana

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