Poemas que não cabem no Facebook n3 - Monólogo



MONÓLOGO




Lá fora do manto azul claro do céu

pouca coisa se distingue no espaço muito, um planeta ou outro, uma pedra solta

que coruja nenhuma enxerga nem onça na mata percebe

só nós, ante ao vazio maior do universo, sabemos das distâncias abissais

mais: o silêncio das estrelas.



O que nos eleva ao conhecimento de deuses

no alto de Olimpos rodeados por serafins-satélites,

e ao mesmo tempo nos diminui a menos que uma rocha em Plutão, inerte.

Nós, depois de tanto sobressalto, nos deparamos com a dureza sideral

e bravamente a ressignificamos.

Estrelas explodem a cada instante, como gotas que caem no verão,

como rosas e rosas e rosas

e tudo seria em vão, não fosse o olho humano, que diz que a estrela é grande,

a chuva não.



Até que se prove que o universo tem mais vida, como nessas ficções

(Que eu não duvido)

a realidade é que tudo que existe, em larga escala é invenção,

do homem, que (apesar de contestável) pensa –

ante ao cenário do universo –

na sua própria atuação,

conjuga um verbo,


um nome

ao que é escuro

ao que é chão

e com a palavra

faz seu drama:

a Criação.




***

Com amor e medo,
Jedielson Sant'Ana

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