DIA DE PRAIA
No silêncio entre uma lembrança e
outra dos dias na praia
O mar sonolento embala, a tarde
transborda lá fora, e eu tento reatar os sentidos daquele dia
A brisa, embora suave, forte o
bastante para mover seus cabelos contra os lábios
As dunas o cheiro de sal sobre os
musgos sobre as rochas sobre os grãos maiúsculos de terra
Reconstruo a praia na parede da
sala? Quem me dera.
Não com lembranças, nada pode ser
achado nessa vida sentado diante de um papel e água
Nada que existe está neste poema, a
não ser a tinta e a folha. Mas nem tudo no mundo existe.
Existe, além do existente, o que é
novo e inventado
Como a praia desse poema que em tudo
difere da realidade material da praia daqueles dias
É uma outra praia, quase
surrealista, que passa a ter vida agora, com o poema.
O poema é quando a invenção vira
carne.
O arrepio, por exemplo, é resultado também
de um choque com o que é invenção
Não se encontra o arrepio em lugar
nenhum no universo, mas ele existe, mesmo inexistindo
Mesmo que seja dentro dessa praia
encenada de poema.
Há muito de poesia no arrepio da
nuca sob a água gelada do entardecer na praia
Em que nadamos cada vez mais para dentro
dessa verdade inventada.
Um novo mundo se inaugura a cada dia.
O sol se punha sob a água, mais
nada.
***
Com amor e medo,
Jedielson Sant'Ana

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