Poemas que não cabem no Facebook n4 - Dia de Praia


DIA DE PRAIA






No silêncio entre uma lembrança e outra dos dias na praia

O mar sonolento embala, a tarde transborda lá fora, e eu tento reatar os sentidos daquele dia

A brisa, embora suave, forte o bastante para mover seus cabelos contra os lábios

As dunas o cheiro de sal sobre os musgos sobre as rochas sobre os grãos maiúsculos de terra

Reconstruo a praia na parede da sala? Quem me dera.

Não com lembranças, nada pode ser achado nessa vida sentado diante de um papel e água

Nada que existe está neste poema, a não ser a tinta e a folha. Mas nem tudo no mundo existe.

Existe, além do existente, o que é novo e inventado

Como a praia desse poema que em tudo difere da realidade material da praia daqueles dias

É uma outra praia, quase surrealista, que passa a ter vida agora, com o poema.

O poema é quando a invenção vira carne.

O arrepio, por exemplo, é resultado também de um choque com o que é invenção

Não se encontra o arrepio em lugar nenhum no universo, mas ele existe, mesmo inexistindo

Mesmo que seja dentro dessa praia encenada de poema.

Há muito de poesia no arrepio da nuca sob a água gelada do entardecer na praia

Em que nadamos cada vez mais para dentro dessa verdade inventada.

Um novo mundo se inaugura a cada dia.

O sol se punha sob a água, mais nada.


***
Com amor e medo,
Jedielson Sant'Ana

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